Cobrança Indevida
Prazos

Prazo de prescrição para reembolso em dobro

Quanto tempo você tem para pedir de volta, em dobro, um valor cobrado indevidamente? Entenda os prazos que costumam ser aplicados a essas situações.

Por Kaísa Montagnani ·
Prazo de prescrição para reembolso em dobro

Um dos pontos que mais gera dúvida em casos de cobrança indevida é o prazo disponível para buscar a devolução do valor pago — especialmente porque, em relações de consumo, esse valor pode ser exigido em dobro, conforme o artigo 42 do CDC.

Por que o prazo importa tanto

A prescrição é o limite de tempo dentro do qual um direito pode ser exigido judicialmente. Depois de esgotado esse prazo, ainda que o direito material continue existindo em tese, a possibilidade de cobrá-lo judicialmente pode ser perdida. Por isso, quanto antes uma cobrança indevida for analisada, mais seguro é o prazo disponível para agir.

Qual prazo costuma ser aplicado

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou o entendimento de que a pretensão de repetição de indébito em relações de consumo — incluindo a devolução em dobro prevista no artigo 42 do CDC — segue o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, contado a partir do pagamento indevido.

Esse é o mesmo prazo prescricional geral previsto no Código Civil para pretensões de reparação civil (art. 206, §3º, V), entendimento que o STJ estendeu às relações de consumo em julgamentos como o Tema Repetitivo 929.

O prazo pode variar conforme o tipo de discussão

É importante destacar que:

  • O prazo de 5 anos se refere especificamente à pretensão de devolução dos valores pagos indevidamente.
  • Discussões sobre negativação indevida e eventual reparação por danos morais podem envolver outras nuances de contagem de prazo, a depender de quando o dano foi conhecido.
  • Contratos específicos (bancários, planos de saúde, telefonia) podem ter peculiaridades regulatórias que também merecem análise.

O que fazer diante da dúvida sobre o prazo

Como a contagem do prazo depende da data exata do pagamento indevido (ou do conhecimento do dano, em alguns casos), o ideal é levantar essa informação o quanto antes — mesmo que a decisão de seguir adiante juridicamente ainda não esteja tomada.


Se você identificou uma cobrança indevida há algum tempo e não sabe se ainda está dentro do prazo para agir, essa é justamente uma das primeiras coisas que podem ser esclarecidas em uma conversa inicial.

Tem dúvidas sobre a sua situação?

Cada caso tem suas particularidades. Conversar diretamente é a melhor forma de entender o que se aplica à sua situação.